Peripécias de Vida VII


Sentamo-nos à mesa e tomámos o pequeno-almoço visto que a D. Andreia ainda dormia deixámos assim a loiça apenas arrumámos a nossa e a Margarida deixou-lhe um bilhete a dizer que já tínhamos saído. Quando saio de casa vejo os pais do Rodrigo a discutirem mesmo no meio da rua fiquei paralisada, nem queria acreditar eles estavam aos berros nisto vejo o Rodrigo a escrever qualquer coisa e a sair dali o mais depressa que pôde.

Clara: Mariana! Vens ou não?

Mariana: Primeiro tenho de fazer uma coisa. Vão indo que depois eu apanho outro autocarro.

Clara: OK. Mas vai dando notícias.

Eu nem lhe respondi e comecei a andar mais rápido para ver se o apanhava, passado algum tempo vejo-o sentado num banco parecia desolado e em baixo. Pensei em ir ter com ele mas por vezes hesitei mas lá fui. Sentei-me ao lado e comecei a falar.

Mariana: Este sitio é muito tranquilizante não é?

Rodrigo: É, eu venho para aqui sempre que estou mal. Mas já agora o quê que estás a fazer? – Disse enquanto se virava para mim

Mariana: Vi os teus pais a discutirem e pensei que precisavas de alguém. – Disse eu um pouco de medo

Rodrigo: Achas mesmo que preciso de alguém? E logo de ti? – Disse num tom mais agressivo

Mariana: Eu só quero ajudar mas se não queres a minha ajuda eu vou-me e tu ficas aqui sozinho a olhar pó boneco. – Disse enquanto me levantava do banco

Rodrigo: Desculpa ser assim tão mau, mas está tudo a acontecer tão rápido e eu não consigo digerir isto é muito complicado. Entendes?

Mariana: Entendo-te na perfeição acredita.

Rodrigo: Mas os teus pais também estão assim?

Mariana: Posso-te dizer que hoje quando chegar a casa vou ter uma notícia menos boa. - Disse enquanto colocava as mãos na cara para tentar segurar as lágrimas mas já era tarde demais

Rodrigo: Vão divorciar-se? Podes chorar eu não te vou bater, fica à vontade comigo.

Mariana: Eles vão divorciar-se, tenho tanto medo Rodrigo. – Disse pondo a minha cabeça no ombro dele

Rodrigo: Não estejas assim vais ver que é o melhor para todos, se queres que te seja sincero eu gostava que os meus pais se divorciassem. – Disse ele pondo a mão no meu cabelo

Mariana: Porquê? – Disse eu um pouco espantada

Rodrigo: Porque pensa assim, os nossos pais amam-nos acima de tudo e se o melhor for a separação assim seja não achas?

Mariana: Visto assim até tens razão, porquê que não és assim na escola?

Rodrigo: Assim como?

Mariana: Tu na escola és mais agressivo, mau, falas mal para tudo e todos. Agora pareces outra pessoa pareces o Rodrigo sentimental, o Rodrigo que todas as raparigas adorariam conhecer, mesmo assim tens muitas atrás de ti.

Rodrigo: Eu na escola sou assim só que parece que ninguém quer ver entendes? E olha as raparigas que andam atrás de mim são todas umas interessadas só querem é dizer que namoram comigo eu ando à procura de alguém especial não dessas raparigas.

Mariana: Eu gosto muito mais deste Rodrigo acho-o muito interessante, é pena nunca me ter apercebido que ele já existia.

Depois disto houve um silêncio muito longo, mas ele continuava a mexer no meu cabelo até que eu olho para o relógio e vejo que já era um pouco tarde despedi-me apenas com um adeus e vim-me embora quando vou ver o telemóvel tinha cerca de dez mensagens escritas e umas três chamadas da Clara e da Margarida, quando cheguei à paragem do autocarro liguei à Clara.

(chamada)

Mariana: Estou linda.

Clara: Seja bem aparecida a menina. – Disse num tom de gozo

Mariana: Não vais começar pois não? Onde estão? – Disse tentando, desviar o assunto

Clara: Nós vamos almoçar agora. E tu ainda demoras muito?

Mariana: Olha esperem por mim em frente ao Macdonald`s que eu já estou no autocarro.

Clara: Está bem nós esperamos por ti.

Mariana: Olha vou desligar porque está a ficar muito barulho sim?

Clara: Está bem, ate já. Beijinhos.

Mariana: Beijinhos.

Desliguei a chamada. Comecei a pensar naquela conversa que tive com o Rodrigo, ele até pareceu sincero mas o que me vinha à cabeça era ele a mexer-me no cabelo era tão bom, tão suave, era diferente mas bom. Assim se passou a viagem até chegar ao shopping. Quando cheguei lá estavam elas à espera da atrasada (eu).

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